Mais da metade das mulheres brasileiras fingem orgasmo

Por Renata Oliveira renata.oliveira@balzaqueando.com

Sim, as mulheres também falham na Hora H, mas diferentes dos homens, elas conseguem esconder e a maioria delas, fingem que chegaram lá. Uma pesquisa do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP garante que mais da metade das brasileiras fingem ou já fingiram orgasmo.

A pesquisa feita com mulheres de sete regiões metropolitanas no Brasil revela que seis em cada dez mulheres brasileiras não chegam ao momento máximo do prazer durante relação sexual. Mas qual seria a causa?

O estudo conduzido pela psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto, conclui que os principais problemas de satisfação sexual está na falta de intimidade e de comunicação entre parceiros.

Apesar das muitas evoluções e mudanças comportamentais ocorridas nos últimos anos, principalmente no universo feminino, a disseminação dos conhecimentos em relação a sexualidade feminina, doenças psicológicas e disfunção sexual feminina ainda apresenta uma alta prevalência e pouco conhecimento. Sim, falar de sexo ainda é um tabu para muitas mulheres.

Para a multiterapeuta e sexóloga Telma Lobato, especialista em terapia tântrica, é importante que homens e mulheres invistam na busca pelo prazer que é muito mais do que a prática do sexo :
“O prazer dá origem a todos os bons sentimentos e pensamentos. Quem não tem prazer corporal se torna chato, frustrado, rancoroso, odioso e depressivo. Perde o poder criativo e essa perda se torna autodestrutiva e o pensamento fica distorcido.” – esclarece Telma Lobato.

Na definição da Organização Mundial de Saúde (OMS), saúde sexual é “um estado físico, emocional, mental e social de bem-estar, não apenas a ausência de doenças ou disfunções. A saúde sexual inclui uma vivência positiva e respeitosa da sexualidade e das relações sexuais, assim como a possibilidade de ter experiências sexuais prazerosas, livres de coerção, discriminação e violência”. Para que a saúde sexual seja obtida e mantida, diz a OMS, “os direitos sexuais de uma pessoa devem ser respeitados, protegidos e satisfeitos”.

Assim como a conclusão da pesquisa, TelmaLobato concorda que em muitos relacionamentos falta intimidade e comunicação. Conhecer seu próprio corpo, saber o que lhe dá prazer e o que gera prazer em seu parceiro sexual é essencial para a satisfação e saúde sexual.

A terapeuta garante que ao entender o que é a auto afetividade, a importância de se amar, amar seu corpo e tudo o que ele representa, se dar prazer é possível e inclusive pode contribuir para a cura de outros conflitos e traumas da vida. Para Telma, para uma vida sexual prazerosa é essencial que as mulheres aprendem a se relacionar melhor consigo mesmo, sintam-se satisfeitas com seu corpo e, consequentemente, terá sucesso nas relações com outras pessoas.

“Na filosofia tântrica o sexo é divino, é conexão espiritual, é sagrado. O prazer é a força criativa da vida e não pode ser controlado, pois nele está o significado da nossa existência. Contudo, em nossa cultura, muitas pessoas ainda o temem e o rejeitam”, ressalta.

Diferentes estudos em todo o mundo revelam que as causas que prejudicam a resposta sexual feminina são inúmeras. Entre elas, podemos citar, a falta de educação sexual, por muitos anos era ‘feio’ falar sobre sexo, especialmente entre mulheres, essa comunicação há muito foi comprometida ou proibida. Outras causas como a estimulação inadequada das zonas erógenas, os conflitos conjugais, falta de atração pelo parceiro, história de violência sexual, ansiedade, depressão, cansaço, doenças físicas, uso de medicamentos que inibem a libido aparecem nas pesquisas.

Historicamente por muitos anos e muitas vezes até hoje, a prática sexual nada mais é do que uma “obrigação” entre casais e nesses casos, claro seria impossível chegar ao ápice do prazer. Muitas mulheres admitem fingir o orgasmo para que o ato sexual seja o mais curto possível. Podemos considerar que a prática de sexo contra vontade de algum dos envolvidos, trata-se de um ato de violência, inclusive contra seu próprio corpo.

Falar sobre o tema, debater, pesquisar para tentar identificar as causas da falta do prazer e principalmente compartilhar isso com seu parceiros e com especialistas pode ajudar a saúde sexual de mulheres. Não é preciso mentir ou fingir. Conhecer seu corpo, seus desejos, seus medos, seus limites e anseios e compartilhá-los com seu/sua parceiro/a sexual é o primeiro passo para uma vida saudável e verdadeira. Falemos sobre sexo, pratiquemos sexo, tenhamos prazer, muito prazer, sem fingimentos!

Sobre a filosofia tântrica
O Tantra é uma filosofia comportamental hindu antiga de características matriarcais, sensoriais , naturais que tem por objetivo, o desenvolvimento integral do ser humano nos seus aspectos físico, mental e espiritual.

“Tantra” é um termo sânscrito que significa “uso, trama”. Designava uma série de tratados indianos do século VII em diante sobre ritual, meditação e disciplina. A palavra “tantra” é composta por duas raízes acústicas: “tan” e “tra”. “Tan” significa expansão e “Tra” libertação.

A filosofia tântrica contribui para a percepção novos aspectos sensoriais presentes no corpo, que podem nunca terem sido desenvolvidos pela educação convencional ou por meio da convivência social. O trabalho de um Terapeuta Tântrico é “acordar” este potencial presente e muitas vezes escondido nas pessoas.

O objetivo da terapia tântrica é quebrar paradigmas e conceitos e contribuir para a limpeza do corpo dos condicionamentos que ele tenha a respeito dos estímulos que recebe. Conhecimento sobre a totalidade do corpo, as formas de geração de prazer, aprender a respirar de forma a controlar ansiedade, depressão, acalmar e proporcionar prazer.

O Tantra tem uma proposta vivencial e terapêutica, por isso serão utilizadas métodos e ferramentas durante o tratamento para que as pessoas aprendam a se relacionar bem com o próprio corpo, aprendam lidar com a nudez e com o prazer com naturalidade.

TELMATelma Lobato
Telma Lobato é graduada em Serviço Social pela Puc-Rio, Pós Graduada em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade Cândido Mendes, Pós graduanda em Sexualidade pela Universidade Cândido Mendes.

É Massoterapeuta pelo Instituto Luciano Lopes, Introdução ao Tantra por Ronald Fuchs, especialista em Massagem Tântrica por Gilson Nakamura (Método Deva Nishock), Formação Profissional em Massagem Tântrica Taoísta por Paula Fernanda, Massagem Tântrica Five Elements por Sattva Tantra, Massagem Tântrica de Biocontato por Satya Kali – Tantra e Desenvolvimento Humano, Reiki do Sistema Usui de Cura Natural e Formação Terapêutica em Bioenergética no Instituto Reiki sem fronteiras Brasil, pelo Mestre João Carlos Melo, Karuna Reiki Praticante I e Karuna Reiki Praticante II pela Mestra Renata Lameira Salles – Instituto Reiki Sagrado.

Palestrante, terapeuta sexual para homens, mulheres e casais hetero e homossexuais.

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