Moça Prosa participa de homenagens ao Dia Nacional do Samba

Em parceria com a Rede Carioca de Rodas de Samba, o grupo feminino de sambistas exalta a importância das mulheres neste gênero musical

Todo terceiro sábado do mês, às 17h, é sagrado: a mesa, os microfones, os instrumentos… tudo armado para acontecer uma roda de samba na histórica região da Praça Mauá, mais precisamente na mística Pedra do Sal. Até aí qual a novidade? Para quem é do samba e fiel a esta manifestação cultural pode não haver surpresas. Mas é aí que entram as meninas da Moça Prosa. Ana Priscila, Dani Andrade, Fabíola Machado, Karina Isabelle, Luana Rodrigues, Jack Rocha, Tainá Brito formam essa roda de samba totalmente feminina que não deixa a desejar a nenhuma roda tradicional do Rio de Janeiro.  Em 2016, elas arrasaram e já são presença confirmada para as comemorações do Dia nacional do Samba, comemorado sexta-feira, 02 de dezembro.

Originado das rodas de samba da Pedra do Sal e da Oficina de Percussão Batuque do Wagninho, o Moça Prosa nasceu e se estabeleceu na Praça Mauá, em 2012. As meninas homenageiam todas as mulheres compositoras, musicistas e cantoras do gênero, entre elas Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Beth Carvalho, Leci Brandão, Alcione, entre outras. Também são celebradas as expoentes contemporâneas do gênero como Mariene de Castro, Luiza Dionizio e Tereza Cristina. O repertório também conta com composições de outros personagens emblemáticos da música brasileira, como João da Baiana, Donga, Pixinguinha, Noel Rosa, Cartola e muitos outros.

“Iniciamos nossos festejos dia primeiro, na 3ª edição do evento a RODA DAS RODAS, em que temos uma miscelânea de representantes de rodas de samba do Rio de Janeiro. Para nós será um prazer imenso estar em um evento como esse, em plena Praça Mauá, onde iniciamos, e agora cantando com amigos de outras rodas e compositores consagrados como Monarco e seu filho Marquinho Diniz”, conta Fabíola Machado.

O projeto a RODA DAS RODAS faz parte  do Programa de Desenvolvimento Cultural Rede Carioca de Rodas de Samba, criado por meio de decreto pela Prefeitura, através do Instituto EIXORIO.  A missão é preservar e promover as Rodas de Sambas da cidade através de apoio em capacitações para músicos e produtores, serviços de comunicação e cessão de infraestruturas.

Segundo Ana Priscila, além da importância do empoderamento feminino, também revela que a parceria com a Rede Carioca de Rodas de Samba está abrindo espaço não só para as mulheres, mas para todos os militantes do samba de roda. Ela afirma que a conquista de respeito e reconhecimento para esse ritmo tão carregado de cultura e ancestralidade é um dos legados que a Rede vai deixar para o futuro.

A sambista acrescenta que é muito difícil ser um grupo feminino em uma realidade dominada por homens. Temos que todos os dias provar que este espaço também é nosso e temos o direito de ocupá-lo. Mas, acreditamos no poder do samba e do nosso grupo, que vai participar pela primeira vez do Trem do Samba.  “Dá um orgulho dando vermos que aos poucos conseguimos mostrar que as mulheres também têm vez nas rodas. Estaremos presentes na abertura no dia 2 de dezembro e teremos um vagão no dia 3 e depois vamos tocar em Osvaldo Cruz” complementa Ana.

Com todo esse arsenal em prol da cultura, quem sai ganhando é o consumidor desse setor, que ainda é muito carente de recursos financeiros, mas rico em diversidade e criatividade.

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