Igualdade de gêneros só será possível em 2095, segundo Fórum Econômico Mundial

Por Renata Oliveira – renata.oliveira@balzaqueando.com

São inúmeras as desigualdades no Brasil, uma das mais evidentes e das que falaremos sempre por aqui, diz respeito às relações de gênero. Os movimentos feministas assim como centenas de pesquisas e estudos concordam que houve avanços, especialmente em relação a economia e ao mercado de trabalho, mas as mulheres ainda tem um longo caminho a percorrer.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial a igualdade de gêneros só será possível no ano de 2095, infelizmente, nós ‘balzaquianas’, não estaremos mais aqui para ver. Isso se o ritmo das mudanças e avanços continuar o mesmo.

A disparidade entre homens e mulheres na economia ainda é alta em todo mundo. Quando se trata de participação econômica e oportunidades para as mulheres, a diferença gira em torno de 60%.

De acordo com a coaching especialista em desenvolvimento humano, Monica Motta, a mulher passou muitos anos sem questionar as decisões e exigências da sociedade. É hora de enfrentar:

“Nós mulheres precisamos nos livrar dessa culpa e unir forças de verdade. Então vejo que a responsabilidade dessa mudança de realidade deveria partir de todos os cidadãos. Acredito na responsabilidade compartilhada: político, empresarial, familiar e no empoderamento feminino individual e coletivo, no entanto acredito que principalmente da união das mulheres. A partir da mudança de postura feminina, os homens e as organizações nos enxergarão de outra forma.”destaca Monica

Segundo o estudo internacional, o Brasil em 124º lugar, entre 142 países, no ranking de igualdade de salários. Somos o penúltimo das Américas, ficando à frente apenas do Chile. O público feminino brasileiro, apesar de representar 51,5% da população, ganha em média 73,7% do salário recebido pelos homens, de acordo com a última pesquisa da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

Para o ranking do Fórum Econômico Mundial, a desigualdade de gênero em um país é calculada a partir de uma série de variáveis: fatores econômicos, saúde, educação e participação política das mulheres em comparação com os homens em determinada sociedade. São medidas não só a participação econômica das mulheres, mas também a oportunidade econômica, a relação da qualidade dos empregos que as mulheres têm mais possibilidades de conseguir.

Elas são chefes, líderes e gestoras de empresas e organizações e ainda garantem a limpeza da casa, a comida e a roupa lavada…

Trabalham fora, lideram equipes, gerenciam empresas, e ainda administram os cuidados com a casa, educam os filhos. Ufa! Parece cansativo? E é, mas elas dão conta.

As mulheres brasileiras que trabalham e, ao mesmo tempo, cuidam da casa e família consideram o seu cotidiano cansativo, aponta pesquisa. O estudo realizado pela organização feminista SOS Corpo e os institutos Data Popular e Patrícia Galvão revela que 75% da população feminina enfrenta uma rotina exaustiva.

De um total de 800 mulheres pesquisadas, 98% disseram que, além de trabalhar, precisam se dedicar à casa. Dessas, 63% recebem ajuda, 10% recebem pagam alguém para auxiliar nestas tarefas domésticas e 27% desempenham sozinhas os afazeres domésticos. Em se falando em desigualdade, a participação dos ‘meninos’ nessas tarefas é baixíssima, 71% das mulheres não contam com nenhum auxílio masculino.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) entre 2001 e 2012, mostram que mesmo que as mulheres cumpram jornadas de trabalho de 40 a 44 horas semanais, elas chegam a dedicar entre 20 e 25 horas semanais com cuidados com a casa e os filhos.

E ainda assim, o número e mulheres em cargos de liderança em empresas no Brasil subiu em relação a 2016, de acordo com pesquisa International Business Report (IBR) – Women in Business, realizada pela Grant Thornton, em 36 países. A presença de mulheres em cargos de CEO aumentou de 5% em 2015 para 11% neste ano. O número de empresas com mulheres no comando financeiro também registrou o mesmo salto, de 5% para 11%.

Para Monica Mota o aumento destes índices se dá ao aumento de escolaridade e do novo modelo de gestão das organizações: “Fatores como a busca por competência, objetivo, foco e determinação por parte das mulheres para atingir maiores níveis, associado a empresas com práticas e políticas reais de promoção da igualdade e o crescimento de mulheres empreendendo e liderando seus negócios.” – comemora Monica.

Mesmo com os muitos avanços e conquistas obtidos ao longo dos anos, os estudos revelam que as condições femininas no mercado de trabalho ainda está longe de igualdade em relação aos homens.

“O mais admirável do universo feminino é que mesmo injustiçadas tantas vezes, as mulheres sabem enxugar as lágrimas e virar o jogo. Mulheres são resilientes e fundamentais para o movimento da economia do país”.  – conclui Monica Mota

2 comentários em “Igualdade de gêneros só será possível em 2095, segundo Fórum Econômico Mundial

  • 18 de agosto de 2016 a 03:00
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    É um cálculo triste, mas, pertinente. São muitos seculos de opressão contra alguns anos de avanços. E temos tido significativos avanços. Mas, não dá para ignorar os tremendos retrocessos que “ressurgem” a todo instante. Um exemplo grave é a questão da educação, quando existe um resistência (verticalizada) em se produzir discussões de gênero nas escolas, ou quando culpabilizam as vítimas, nos casos de estupros, ou quando as cidades não são pensadas, em nenhum aspecto, considerando as especificidades das mulheres e meninas. Ainda temos muita violência contra as mulheres e meninas, de todos os tipos, públicas e privadas, institucionalizadas, naturalizadas, enraizadas, e nem sempre sentidas ou questionadas. Sim, mudar isso pode levar muitos anos. Mas, tenho fé,que não leve tanto.

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    • 18 de agosto de 2016 a 13:15
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      Verdade Leila… estamos avançando. Agradecemos o comentário. Continue participando e compartilhando nossas publicações. Beijos!

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