Pesquisa revela diferença de preços entre produtos femininos e masculinos

Por Renata Oliveira – renata.oliveira@balzaqueando.com

Mulheres pagam mais caros em produtos e serviços similares, se comparado aos homens

Estudo publicado pelo Departament of Consumer Affairs (DCA) de Nova York confirmou o que muitas de nós, consumidoras, já desconfiávamos: produtos direcionados para o público feminino são, em média, mais caros do que os mesmos oferecidos para os homens. No exterior, este fenômeno é chamado de Pink Tax, ou Imposto Rosa, em tradução livre.

 O estudo intensifica ainda mais as discussões relacionadas à desigualdade de gênero, que é comprovada em diversos âmbitos na sociedade, mas sobretudo nos salários pagos para homens e mulheres.

Ou seja, além receber, em média, 24% menos que os homens, as mulheres ainda pagam mais caro para adquirir os mesmos produtos, com um pequeno detalhes que os difere, as cores.

A pesquisa comparou a versão feminina com a masculina de mais de 800 produtos de 90 marcas vendidas em lojas de departamento e supermercados americanos.

Todos os produtos à venda tinham duas únicas diferenças: a cor da embalagem e o direcionamento ao público.

O jornal britânico The Times repetiu o experimento e comprovou o resultado da pesquisa. Entre aqueles que ficaram mais caros apenas por serem rosas estão lâminas, canetas e roupas.

Julien Menin, autora do estudo do DCA, diz que os números comprovam discriminação de gênero e, compondo isto, as mulheres ainda ganham menos que os homens.

Artigos como brinquedos, acessórios e roupas de crianças, roupas de adultos, produtos de cuidados pessoais e produtos de cuidados para a casa foram analisados na pesquisa. Em média, os produtos para as mulheres custam 7% a mais que para homens. O estudo estima que, por ano, as mulheres gastem aproximadamente US$ 1.351 a mais (ou R$ 5.343,48) de Pink Tax para adquirir os mesmos produtos. Dependendo dos setores destes produtos, a diferença é ainda maior.

As roupas para adultos seguem o mesmo estilo. Enquanto um simples jeans masculino sai US$ 68, a mulher paga aproximadamente US$ 88. O mesmo acontece com camisetas. Para produtos para casa, os preços para o público feminino cresce 8%.

As mulheres pagam a mais principalmente em produtos de cuidados pessoais. A média é de 13%, porém há produtos que podem custar 50% mais caros.

Para as crianças, as diferenças continuam. De 106 produtos analisados, todos apresentaram valores mais altos para as meninas — sendo que apenas o diferencial entre ambos os produtos é a cor.

O mesmo acontece com as roupas infantis, dentre as quais as meninas pagam 4% a mais, em média. E quem mais compra produtos para os pequenos e as pequenas ? As mamães. Estão as mulheres gastando mais…

rosa_01Nos EUA, as mulheres ganham 79 centavos para cada um dólar pago para um homem. “É uma dupla injustiça. E isto não acontece apenas em Nova York. Você vê isto aplicado em todos os lugares do mundo”, disse Julien ao The Washington Post.

O The Washington Post fez contato com Target, uma das maiores lojas de departamento dos Estados Unidos. O porta-voz da empresa afirmou que iria baixar os preços dos produtos que apresentavam diferença e acrescentou que tudo não passou de um “erro de sistema”.

Sobre a diferença de preços entre os brinquedos para meninos e meninas — principalmente daqueles que eram os mesmos, só mudavam a cor — a loja afirmou que a discrepância pode estar relacionada com os custos de produção e outros fatores simulares.

E no Brasil?

Aqui em nossa Pátria Amada não existe nenhum estudo formal sobre a desigualdade de preços entre produtos destinados a cada gênero no Brasil. A diferenciação é permitida pelo Procon, mesmo que o item seja o mesmo, mudando apenas a cor.

E façamos uma breve observação aos prateleiras. Não é difícil observar preços diferentes em alguns produtos e serviços, como os de beleza, por exemplo. Um corte de cabelo curto, por exemplo custa muito mais caro para homens do que para mulheres.

O instituto DCA, responsável pelo estudo nos EUA, ao divulgar o resultado, encorajou as nova-iorquinas a denunciarem nas redes sociais os casos de discrepância entre o preço de produtos masculinos e femininos. Por aqui, enquanto não há estudos que comprovem a notável diferença de preços entre os mesmos produtos para homens e mulheres, nem há proibições relacionadas ao tema, pode-se concluir que avaliar as diferenças e pechinchar, comparar preços ainda é a melhor alternativa para nós, mulheres brasileiras economizarmos. #dicaadica

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