CRISTIANE NAVARRO, do jornalismo para o artesanato. As reviravoltas da vida.

Por Claudia Rolim – claudia.rolim@balzaqueando.com

Cristiane Navarro tem 44 anos, é jornalista por formação, fala francês, é casada e mãe de duas lindas meninas: Lorena e Julia, de 7 a 5 anos. Como toda mulher do século 21, Cris trabalhava fora, era independente, tinha suas metas, seus objetivos, seus sonhos e, dentre eles, o de ser mãe e, como a maioria das mulheres hoje em dia, investiu na profissão e na carreira até quando pôde ou seria mais correto dizer, até a hora que o mercado profissional lhe deu uma rasteira?

Cristiane deixou pra ser mãe após os 30 anos e, depois perder um bebê, e finalmente conseguir engravidar novamente, quando tudo parecia estar bem, a jornalista foi surpreendida por uma demissão inesperada. “Eu não desisti do jornalismo, mas me vi obrigada a ficar longe da área porque fui demitida no dia em que terminou meu período de estabilidade, proporcionado pela licença-maternidade”, conta a jornalista.

Foram 14 anos ininterruptos de dedicação à redação de um jornal que não foram valorizados pelos ex-patrões. Infelizmente. Pouco tempo depois, um rapaz recém-formado foi contratado para exercer as funções que Cristiane desempenhava e isso só comprovou o que a jornalista ouviu ao longo dos anos: ‘O melhor é contratar homens, pois não dão despesas, como auxílio-creche e licença-maternidade”.

Bem, com tanta decepção, Cristiane resolveu dar a volta por cima e curtir o novo momento. Já que a vida lhe apresentava um limão ela resolveu olhar para esse limão com doçura e fazer uma saborosa torta de limão! Foi aí, que a jornalista lembrou da sua mocidade, da sua família, olhou pro doce rostinho da filha Lorena e decidiu mudar! Com o incentivo do marido, Antônio Inácio, Cris, decidiu optar pela calmaria, pelo detalhe, pelo tempo, ou seja, pelo artesanato, e assim surgia a artesã Cris Navarro com sua pequena empresa Lorejú!

A vida não é fácil, mas quem disse que seria, não é mesmo? Entre uma pincelada aqui e outra ali, a dona da Lorejú conversou comigo sobre a carreira, a família e a vida. ‘Bora conferir esse bate-papo?

Cris,você atuou no jornalismo por cerca de 15 anos. O que você mais gostava na sua profissão?
Gostava e ainda gosto muito de escrever e revisar textos.

Você diria que desistiu do jornalismo?
Eu não desisti do jornalismo, mas, penso que, atualmente, a sociedade tem um preconceito velado contra mulheres que foram mães mais tardiamente, como foi meu caso. Optei por investir na carreira e deixar para ser mãe por volta dos 34 anos… Acontece que, infelizmente, perdi meu primeiro bebê quando ia completar o primeiro trimestre de gravidez e optamos por aguardar mais um pouco, pois o trauma foi grande. Felizmente, hoje temos duas meninas lindas, Lorena e Júlia, de 7 e 5 anos.

Algo a faria voltar para o jornalismo hoje?
Gostaria muito de ter uma nova oportunidade no jornalismo, mesmo porque minhas filhas já são grandinhas e não necessitam tanto de uma mãe presente 100% do tempo. Ter uma renda maior seria importante, inclusive, para conseguirmos proporcionar uma educação de melhor qualidade para elas.

Em algum momento você tentou voltar para o mercado de trabalho, para o jornalismo?
Eu tentei sim voltar para o mercado de trabalho há algum tempo e até consegui trabalhar como repórter e revisora de uma revista recém-lançada na época, mas infelizmente a publicação não seguiu adiante, por falta de um bom planejamento por parte de seus proprietários.

Mas, o que é mais importante para você, Cris? Ter uma carreira, uma atividade profissional fora do lar ou acompanhar o crescimento das suas filhas?
Creio que ambas as situações têm sua importância. Ter uma carreira é importante sim, assim como estar perto das minhas filhas, vivenciando o dia-a-dia delas, vendo o crescimento das duas de perto, é fenomenal.

Hoje você trabalha em casa com artesanato. Você é feliz com essa atividade?
O artesanato sempre esteve presente em minha vida, desde a infância. Minha família sempre complementou renda com diversos tipos de artesanato, já que fui criada pelos meus tios e haviam seis bocas para alimentar.
Fazer artesanato para mim é super prazeroso, me deixa muito feliz! Sempre fui louca por tintas, talvez por ter tido um avó italiano severo, que ganhou a vida pintando paredes, mas que não permitia que os netos chegassem perto de suas tintas! O proibido é mais gostoso, né? E como eu gostava e gosto dessa atividade resolvi investir nela agora!!

Como foi deixar de ser jornalista e se tornar artesã?
A princípio foi bem traumático, porque você investe muito em uma faculdade cara, abre mão de viajar, de comprar coisas que te deixariam mais feliz, tudo para concluir os estudos e se tornar uma grande jornalista. De repente tudo muda…

Que tipo de trabalho você faz e como você divulga suas peças?
Trabalho com MDF e com lembrancinhas personalizadas. Confecciono peças totalmente artesanais, de acordo com as necessidades de cada cliente. As peças mais queridas entre meus clientes são os quadrinhos para porta de maternidade/quarto infantil e as casinhas de boneca…

Qual é o maior prazer do seu trabalho com o artesanato?
É incrível ver a cara de satisfação dos clientes quando recebem suas encomendas! Sempre dizem: “Que linda! É melhor e mais bonita do que eu esperava!”.

Quem quiser conhecer suas peças como faz, Cris?
Tenho uma página no Facebook, chamada Artesanatos Lorejú (uma singela homenagem às minhas queridas filhas), onde divulgo todas as minhas peças e recebo as encomendas. Lá, as pessoas podem deixar recados, número de telefones que eu retorno rapidamente.

Para fechar esse bate papo, o que você espera daqui pra frente?
Espero conseguir renda suficiente para dar uma boa educação para as minhas filhas e sempre mostrar à elas que tão importante quanto o dinheiro é ver as pessoas que amamos felizes e eu posso dizer que sou muito feliz com a minha família.

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