Desmistificando o Congelamento de Óvulos

Por Claudia Rolimclaudia.rolim@balzaqueando.com

Foi-se o tempo que a menina crescia, ficava mocinha, casava e engravidava. Nos tempos modernos, gravidez depois dos 30 anos tem se tornado cada vez mais comum e cada vez mais mulheres optam por realizar o sonho de ser mãe após o sucesso profissional, quando já estão com a carreira estabilizada. Mas, a partir dos 35 anos, a idade começa ser um empecilho para a gravidez e uma das opções é o congelamento de óvulos.

A atriz Janaína Jacobina, de 33 anos, tem uma vida movimentada, típica da mulher do século 21. Ano passado ela interpretou a socialite Nicole, no espetáculo “Amor, Humor, o Resto é Bobagem”, com direção de Ricardo Rizzo e Cacá Toledo. Passou uma temporada em Nova Iorque onde fez curso na New York Film Academy, além disso, ela cursa a escola de atores Wolf Maia e faz cursos de coaching, voz e cinema, em São Paulo, ou seja, a atriz não pára e o tempo também não, por isso, depois de muito pesquisar e pensar Janaína resolveu congelar seus óvulos e procurou o médico Augusto Bussab, em São Paulo, para iniciar o tratamento.

O ginecologistadr augusto e obstetra, Augusto Bussab, 43 anos, abriu a clínica de fertilização, que leva o seu nome, em 2006, na cidade de Osasco, São Paulo. Já trabalhou como médico colaborador em reprodução humana, no Hospital das Clínicas – USP, e fez pós graduação nesse ramo, na França.

Entre os seus objetivos, está à busca pela melhor solução para casais que tenham o sonho de construir uma família, e ser referência em medicina reprodutiva e atendimento humano. “Com o avançar da idade, as taxas de fertilidade seguem caindo. Neste contexto, hoje podemos oferecer o congelamento de oócitos (óvulos), uma prática segura para mulheres que desejam preservar a sua fertilidade. No Brasil, essa prática está se tornando mais comum com os anos, mas para que tenhamos óvulos de qualidade, devemos pensar em qual o melhor momento para o congelamento. Quanto mais cedo, melhor será”, comenta o médico, Augusto Bussab.

Como esse tema é bem instigante eu fui conversar com o médico, Augusto Bussab e, com a atriz Janaína Jacobina.

– Dr. Augusto, qual é a sua especialização?
Há 17 anos trabalho como Ginecologista, Obstetra e Reprodução Humana.

– Qual é a faixa etária de mulheres que mais o procuram para fazer o congelamento de óvulos?
Normalmente estão entre 30 e 35 anos. No melhor momento de suas carreiras profissionais.

– Qual é o perfil da mulher que mais o procura para congelar os óvulos?
Jovens executivas, médicas, modelos e atrizes.

– Há uma idade mínima e uma idade máxima para fazer o congelamento de óvulos?
Não há idade mínima, mas temos que ter bom senso. Uma mulher com 30 anos tem uma visão sobre a vida bem diferente de uma com 25 anos. O melhor período para o congelamento de óvulos é por volta dos 36 anos.

– Creio que as mulheres que o procuram para fazer esse procedimento têm uma vida bastante movimentada, então, eu pergunto: a mulher precisa parar as atividades para fazer esse congelamento? Ela tem que ficar internada? Como acontece esse procedimento?
O tratamento fará parte de sua rotina por volta de umas duas a quatro semanas. O fator determinante será o protocolo definido a cada caso. Nesse período, ela poderá trabalhar normalmente. Existe uma internação sim, e acontece no momento da retira de óvulos, sendo, normalmente, no período da manhã e assim que finaliza o procedimento, a paciente está liberada, mas sempre solicito que neste dia, ela repouse.

– A que o Sr atribui esse crescimento de congelamento de óvulos?
A carreira é determinante e o congelamento de óvulos foi para postergar uma gestação.

– Qual é o procedimento ‘burocrático’ para fazer o congelamento de óvulos? Ela precisa, por exemplo, que a família e/ou o marido saibam, autorizem ou é uma decisão única e exclusiva da mulher?
No caso de células germinativas, como o óvulo, ela pode fazer tudo sozinha.

– Há alguma contra-indicação? Algum risco?
Os riscos são relacionados ao hiperestímulo ovários, anestésicos e os próprios de uma punção ovariana. E há contra-indicação sim, que é avaliada em consulta médica.

– Qualquer mulher pode congelar o óvulo?
Sim, desde que sejam preenchidos alguns requisitos, como por exemplo, a idade.

– No momento que o óvulo está congelado e a mulher decidiu que é o momento de engravidar. Qual é o procedimento?
O próximo passo é realizarmos a Fertilização “in vitro”, para termos o embrião que será transferido ao útero materno previamente preparado para recebê-lo.

– Há algum risco de nascer um bebê com algum tipo de sequela por ter vindo de um óvulo congelado?
Até o momento não há evidência que o processo altere a estrutura genética do óvulo.

– Quem quiser entrar em contato com o Sr, como faz?
Nosso site é nosso cartão de visita: www.euquerosermae.com.br. Nosso contato telefônico é (11)3683-1188

Mamô Divulgação
Mamô Divulgação

Janaína Jacobina que é paciente do ginecologista Augusto Bussab.

Janaína, você está com 33 anos. Você congelou o seu óvulo. Isso já faz algum tempo ou é recente?
É recente, super recente. A ideia era antiga, surgiu faz uns 6, 7 anos.

Teve alguma indisposição após o procedimento?
Sim, sou muito ligada à mente, acredito no pensamento positivo e seus benefícios, mas com as medicações, as coisas não foram todos os dias como eu imaginei. Mantive o foco em estar bem porque era algo que eu tinha certeza que faria nesse momento, mas tive indisposição sim… Nos primeiros dias, senti menos fome, praticamente conseguia comer só saladas. Por volta do sétimo dia, com as injeções, tive desconfortos abdominais e uma cólica chata, uma sensação de mini-TPM, mas tudo suportável. Só que você não tem aquele pique de ir a um show que você adoraria ir num outro momento. Foi interessante que, nesse momento, eu percebi que realmente eu estava focada em me precaver em relação à saúde. Colocamos silicone, pintamos o cabelo, fazemos dieta para ganhar/perder massa e poucos momentos paramos para pensar em congelar óvulos, pensar nas possibilidades da vida e ter essa precaução.

O que a fez tomar essa decisão?
Congelar óvulos era uma ideia que fazia parte da minha cabeça. Tive certeza quando morei em Manhattan. Adoro crianças e faço trabalhos sociais com elas desde a minha pré-adolescência, já cuidava de crianças com câncer, deficientes e carentes, mas a vontade de ser mãe, aquele desejo que dizem que uma hora vem, ainda não senti. Sou muito de estudar, emendo um curso no outro, gosto de trabalhar, viajar é uma paixão. Então, por precaução, passei em consulta com alguns profissionais e por fim senti um “click” com o Dr. Augusto Bussab, indicado por vários médicos meus. Ele me explicou o passo a passo, senti muita tranqüilidade e experiência da parte dele, isso é fundamental. Várias colegas de profissão também fizeram e sentem-se mais tranquilas com essa atitude, caso um dia eu mude de ideia e já não esteja tão jovial assim.

Você está casada ou solteira?
Solteira, ainda que estivesse casada essa decisão já vinha ao longo do tempo sendo amadurecida. Hoje, eu não me vejo mãe. De repente, isso venha a acontecer e quando esse “click” aparecer, daqui 3, 4 ou mais, terei óvulos jovens e bem cuidados como opção.

Até quando você deixará o seu óvulo congelado? Você estipulou uma idade pra descongelá-lo e realizar o seu sonho de ser mãe?
Às vezes, eu paro e penso “Será que um dia eu serei mãe?” Interessante, eu consigo visualizar lugares que eu quero conhecer, minha família, momentos, mas filhos ainda não me vêm essa imagem na cabeça, apesar de amar criança. Talvez seja algo que surja de repente, mas também não forço, deixo as coisas fluírem naturalmente, um dia por vez, um passo após o outro.

Pra fecharmos, quais são seus projetos atuais, Janaína?
Apesar de o meu ofício ser o jornalismo e sei que caminho atrelada a ele, tenho me aperfeiçoado na dramaturgia. É um universo muito interessante, rico de informações e possibilidades de compreender o ser humano. Tenho me surpreendido com a história do teatro desde a antiguidade, a influência política e religiosa na arte no passado, o quanto culturalmente fomos envolvidos nessas decisões que envolviam desde o lazer a decisões políticas através da arte. Viajar é paixão antiga. Caminhar pela história local, sentir, enxergar a cor da cultura do povo, é fascinante. Projetos sempre temos. O ideal é que saiam do papel e venham para realidade. Quero juntar comunicação com o movimento de ir a lugares, conversar com pessoas, um mix do que já fiz, de maneira que a TV seja sempre uma continuação da casa de quem assiste.

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