Autoconhecimento e equilíbrio entre tantos ‘eus’

Por Irma Lasmar – irma.lasmar@gmail.com

Sou muitas numa só. A mãe, a esposa, a profissional, a mulher, a amiga, a filha, a vizinha, a cidadã… Para cada uma, uma atitude, um humor, um tom de voz, um grau de paciência. Até os sorrisos têm frequência diferente a cada papel que desempenho. Se assim não fosse, se eu adotasse a mesma Irma Lasmar em todos os ambientes sociais, acabaria tratando colegas de trabalho como filhos, o chefe como pai, amigas próximas como prestadoras de serviços.

Não são múltiplas personalidades, e sim comportamentos adequados que definem relações, níveis de intimidade e sentimentos, e evitam inconveniência, expectativa e frustração.

Saber discernir, dividir e definir esses papéis sociais é tarefa para uma vida inteira. E um exercício de autoconhecimento. Reconhecer quem sou como mãe me faz refletir que mãe quero ser. Reconhecer o tipo de profissional que sou me faz mudar o que não está saindo de acordo com o meu conceito de excelência, correção e ética. Reconhecer-me como amiga, esposa, filha me propicia tentar ser ainda melhor, doando o que tenho de sobra e exigindo o que penso merecer mais.

Entretanto, a autoanálise só adianta quando insistimos em desconstruir nossas certezas sobre nós mesmos. Muitas vezes achamos que somos algo que na verdade queremos ser mas ainda não alcançamos; pensamos que transmitimos o que sentimos porém não espelhamos de fato o que somos. Olharmos de fora, com o senso crítico imparcial, é tão difícil quanto nos colocarmos no lugar do outro para entender de fato suas opiniões, motivações e dores.

A terapia é uma boa ferramenta para esse exercício. O psicólogo auxilia a busca interna por respostas que não se encontra no mundo exterior. Ele indaga, instiga, questiona, em vez de dar soluções para problemas oferecendo um modelo de comportamento pré-formatado. Afinal, não existe vida perfeita, e cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Claro que a coisa só vai servir para quem está disposto, aberto, receptivo a falar e refletir sobre si mesmo.

Assim como qualquer outro tipo de prestador de serviços, pode ser que você demore a encontrar o profissional que lhe deixe à vontade, que lhe inspire confiança. Normal. Nessa relação, não há certos e errados, bons ou maus. O que deve haver é empatia. E, se é para o nosso bem, que mal tem?

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