Da gratidão à sabedoria, as dores e os prazeres que só eu posso contar

Por Irma Lasmar – irma.lasmar@gmail.com

Tudo podia ter sido diferente. Tudo. Eu, minha carreira, meu casamento e filhos. Diferente pra melhor… ou para pior. E essa dúvida é o principal motivo para eu agradecer mais do que reclamar da vida. Sou grata – a Deus, ao universo, ao acaso, a mim mesma, a todos juntos – pelo que sou e pelo que tenho, porque se não conheci outra vida não sinto na pele a tangente não percorrida, o plano B não realizado.

A opção não escolhida é a trajetória não construída e, portanto, não existente – dores e prazeres que não senti. Se a vida é feita de escolhas, somos a única coisa que devíamos ser, já que outra não nasceu. Nessa verdade residem, entre outros aspectos, as três condições da escolha humana (também chamada de consciência): querer, poder e dever. Nem tudo o que quero eu posso, nem tudo o que quero e posso eu devo. Com base nessa tríade o ser humano faz suas opções e constrói seu caminho – e se vê também diante das principais questões morais e éticas de seu existencialismo.

Diante de alternativas, pensamos: o que quero? O que posso? O que devo? Tudo precisa ser selecionado após esse filtro: classificar sonhos, tentações e obrigações desde furar uma fila ou ajudar um deficiente na rua até se deixar influenciar por terceiros na tomada de decisões profissionais e pessoais. Sou a pessoa mais importante para mim, ou nada mais existiria… mas não posso ignorar a coexistência dos demais universos individuais, a importância dos demais seres que me cercam sem necessariamente me orbitar ou diretamente me servir, pois protagonizam suas próprias vidas – e aí me refiro não só às pessoas mas à natureza de um modo geral, da qual somos parte integrante e não proprietários.

Sou feliz? Tenho orgulho de mim? No fim das contas, só isso importa. Se respondemos sim a essas duas perguntas, a satisfação e gratidão são inevitáveis. No meio de tantas coisas possíveis, fazer o que se quer e o que se deve na mesma medida e equilíbrio é a tal chamada sabedoria.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *