Especial Mulher – Centro de Arte Flamenca promove aula aberta de Bata de Cola

Acessório feminino centenário remete ao ápice da destreza da bailaora na dança

No Dia da Mulher, 8 de março, o Centro de Arte Flamenca (CAF) promove uma aula aberta pra lá de feminina: a de Bata de Cola, nome do vestido ou saia com cauda que, pela destreza exigida pela bailaora que está usando no tablado, representa o ápice da majestade do ritmo flamenco, um dos principais símbolos da cultura espanhola. Quem quiser conhecer o que permeia tanta magnitude e ter uma ideia de como o acessório é movimentado deve se inscrever até a véspera e comparecer à sede da escola na quarta-feira, às 18h30, quando a professora Ana Cristina Marzagão ensinará essa arte.

“A bata de cola remete à uma feminilidade incrível. É a rainha do traje das mulheres e uma referência no flamenco, usado em alguns bailes como a Soleá, as Alegrias e os Caracoles”, ressalta Lu Garcia, diretora e bailaora do CAF.

Lu Garcia explica que a bailaora estabelece um vínculo tão forte com a cauda que transmite a sensação de que ela é parte de seu corpo. “A técnica inclui dosar o impulso para tirar a cauda do caminho com um movimento semelhante a um chute, mas suave. Conhecer o funcionamento das articulações dos membros inferiores é fundamental para uma atuação bem sucedida. A técnica da bata de cola deve estar apurada para que não haja tropeço e para que a cauda não vire ou não enrole”, adverte a artista.

A bata de cola é o traje típico da mulher andaluza para determinadas festas. Geralmente, os babados começam na altura do joelho para que permita o movimento das pernas.

Origem do acessório
Historiadores remontam o aparecimento da bata de cola para a segunda metade do século 18 numa adaptação da roupa de uma princesa. Era usada por mulheres nas ruas das maiores cidades da Espanha, feita de seda ou percal branco e ajustada no corpo com cordas ou fitas. No século 20 a cauda foi levada para os shows, era engomada e pesava em torno de 25 quilos. Há registros que afirmam que a bailaora Rosário La Mejorana foi a primeira a usá-la nos palcos.

No entanto, seu uso foi popularizado pela Pastora Império e Antonia Mercé, que dançavam com bata de cola em tablaos e teatros. Desde então, a cauda vem passando por adaptações, foi encurtada e tornou-se mais leve com a aplicação de tecnologia aos tecidos. Hoje, e bata cola pesa aproximadamente 10 quilos, tem de 35 a 50 metros de tecido e precisa ser firme para cair gentilmente e não embolar.

A bata de cola foi celebrada por grandes nomes do flamenco. Merche Esmeralda, Blanca del Rey e Matilde Coral são chamadas de principais embaixadoras da cauda. Matilde Coral escreveu até o livro Tratado sobre a bata de cola, publicação que sensibiliza para a sua importância e elegância ao mesmo tempo que dá dicas básicas sobre o seu funcionamento.

Lu Garcia_bata de cola

Sobre o Centro de Arte Flamenca
O Centro de Arte Flamenca (CAF) é a primeira escola de dança de Campinas (SP) a ministrar exclusivamente o ritmo. A fundadora e diretora do CAF, Lu Garcia – moradora de Campinas desde criança e neta de espanhóis – iniciou a carreira na dança há mais de 30 anos com o balé e, na década de 1990, ao morar na Espanha, apaixonou-se pelo flamenco e trouxe o autêntico e original baile quando retornou à Campinas.

Depois de ministrar a arte em escolas de dança convencionais, decidiu, em 1997, criar o CAF. Além de ensinar os passos da dança, o objetivo do projeto é divulgar a arte que representa um dos maiores símbolos da cultura espanhola por meio de música ao vivo, apresentações periódicas, palestras, exposições, tablaos, workshops com renomados artistas, promoção em Campinas de eventos similares aos tradicionais na Espanha, entre outras iniciativas.

O Centro de Arte Flamenca vem, deste então, enaltecendo e valorizando a tradição da Espanha na região, formando os melhores bailaores da redondeza neste rico período.

Serviço:
Aula aberta de Bata de Cola com Ana Cristina Marzagão – Centro de Arte Flamenca
Data: 8 de março, às 18h30
Local: Rua Barão de Paranapanema, 401, Bosque, Campinas
Informações e inscrições: pelo whatsapp (19) 99774-5900 até 7 de março
Crédito das fotos: Vitor Damiani

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *