Prêmio Osé Mímó reverencia o Respeito às Ancestralidades

Por Fernanda Amorim – fernanda.amorim@balzaqueando.com

Companhia de Dança Corpafro faz uma apresentação especial junto com Orquestra de Atabaques trazendo a energia das Iabás para a cerimônia.

Coletivo Osé Mimo
Coletivo Osé Mimo

A 2° Edição do Prêmio Osé Mímó de Valorização da Diversidade Étnica e Cultural, foi realizada na noite de quarta – feira, dia 11 de outubro no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, abordando a questão da intolerância e a necessidade de respeito entre as religiões. O evento teve como anfitriões o Jornalista e Pesquisador Marcelo Reis e a atriz Bianca Lima.

O nome do Prêmio Osé Mímó significa “machado sagrado”. Ele foi criado por quatro casas de religiões de matriz africana, que integram o Coletivo Osé Mimo: Ilé Asé Efón, liderada pelo Babalorisá Elias de Iansã; Ilé Asé Oiyá Iyá Mí, da Iyalorisá Rita d’Oiyá; Ilé Asé Oiyá Tolore Osum, da Iyalorisa Nenen de Iansã; e Ilé Asé Omin Odara, do Babalorisá Carlinhos de Oxaguian.

O evento fez uma ligação entre o passado e o futuro quando os homenageados e apresentadores lembram-se das suas ancestralidades reverenciando sempre ao passado e a todo legado religioso solidificando uma cultura, uma história de um povo, de uma nação. Também teve uma homenagem as Mulheres e ao seu Empoderamento e a escolhida para receber foi a Iyalorisá Mãe Beata de Iemanjá, que faleceu no dia 27 de maio deste ano. Ela foi lembrada e aplaudida por toda sua trajetória cultural, política e religiosa.

Babalorisa Adailton D’Ogun, filho de Mãe Beata de Iemanjá Foto: Fernanda Amorim
Babalorisa Adailton D’Ogun, filho de Mãe Beata de Iemanjá Foto: Fernanda Amorim

O Babalorisa Adailton D’Ogun, filho de Mãe Beata esteve na premiação para receber as homenagens da sua mãe, que também recebeu o Prêmio Obirin Alabará – Mulher Poderosa, uma categoria especial para homenagear a grande sacerdotisa. Sua mãe já tinha o título de Paraninfa desde a primeira edição do prêmio.

Ao receber o troféu em homenagem a sua mãe, a Iyalorisá Mãe Beata de Iemanjá, o Babalorisa Adailton D’Ogun muito emocionado discursou e elogiou sua ancestralidade: – “Peço a benção as minhas mais velhas e meus mais velhos aqui presente e aos mais novos congratulo por esse prêmio porque esse prêmio representa também a nossa responsabilidade de futuras gerações que tentam manter vivo o legado dessas mães ancestrais. Eu estou aqui emocionado, mas não posso me ater a comentar que nós continuamos sendo uma tradição religiosa que resiste na dor, que tem como suas grandes lideranças mulheres negras, isso muito nos orgulha. Nós temos a tradição religiosa a incumbência e o dever de estar atuando efetivamente na luta pelos direitos que pertencem a nós também cidadãs e cidadãos desse estado brasileiro que se diz democrático e de que cada dia mais transforma em estado brasileiro extrema direita, vivemos esse momento que nossa cidade está sendo escoada pelo ralo quando invadem e depredam os nossos terreiros, não podemos ficar inertes a essas questões.”

E convidou a subir no palco Mãe Detinha para junto com ele receber o prêmio: ” É com as matriarcas que aprendemos.” justificando o porque do convite.

Nests edição se deu a continuidade de como foi o prêmio na edição anterior quando o Coletivo Osé Mimo entregou uma menção honrosa a mais de 20 personalidades, configurando a iniciativa de reconhecimento e fidelidade à cultura dos povos Tradicionais de Matriz Africana por relevantes contribuições para disseminação da Cultura Afro-brasileira e afirmação de nome, identidade e história.

Foram premiadas 11 organizações da sociedade civil, coletivos ou pessoas físicas em 7 categorias: Promoção da Cultura; Manutenção do Patrimônio Material e Imaterial; Proteção dos Direitos; Respeito entre as Religiões; Serviço Social e Ações de Sustentabilidade; Mídia e Comunicação; e Combate ao Racismo e Discriminação.

O Deputado Estadual Átila Nunes agradeceu a menção honrosa que recebeu: – “Agradecimento a todo o nosso povo de Candomblé! Tive a honra de receber uma homenagem dos meus irmãos do Candomblé, Carlinhos de Oxaguian e Neném de Iansã. Agradeço aos Orixás e Povo do Axé pelo reconhecimento do meu trabalho. Como tenho dito: Precisamos de ações concretas! A nossa união sempre fez e fará a diferença no cenário em que vivemos! Representar essas religiões lindas é uma Missão!!! Algo que carrego em minha alma. Algo que vem desde o meu nascimento. Axé!”

Orixá Xangô
Orixá Xangô

Como o Orixá Xangô é o grande Patrono do prêmio esse ano, a Companhia de Dança Corpafro, por meio da coreografa Eliete Miranda fez uma apresentação especial ao som da Orquestra de Atabaques, regida por Natanael Souza. Apresentaram à história das Iabás (orixás femininos) Iansã, Obá e Oxum, esposas de Xangô, o deus da justiça. As bailarinas que fizeram as Iabás deram todo o tom artístico do evento trazendo a energia feminina para a cerimônia de premiação.

O Teatro Carlos Gomes recebeu a presença de um grande público. Estiveram presentes políticos, personalidades, líderes religiosos, jornalistas e emissoras de TV. Alguns representantes no local eram o Secretário do Estado de Direitos Humanos e Política para Mulheres e Idosos, Átila Alexandre Filho, o Deputado Estadual Átila Nunes, o Deputado Federal Jean Wyllys, a Jornalista Flávia Oliveira, o Jornalista Paulo de Oxalá, o Produtor Luís Filipe de Lima, a Iyalorisa Marlene de Lufan, Lúcia Xavier da ONG Crioula.

De acordo com o Coletivo, a segunda edição do prêmio não aconteceu sem ajuda da Comissão Julgadora Independente, composta por profissionais de grandes entidades de preservação da cultura afro-brasileira: Doutora Helena Theodoro, do Fundo Social Elas, Lúcia Xavier, da ONG Crioula, da Analimar Ventapane e Jaqueline Freiitas da Fundação Palmares.
Discurso do Mauricio de Souza Moraes ao receber o troféu: – “Que eu encontrei de eternizar uma cultura privilegiadamente oral. Essa homenagem é uma homenagem, esse osé que carrego quem colocou na minha mão foi meu pai Jimi e em honra do egun dele, ao egun da minha avó Agripina e ao egun da minha bisavó Aninha pelo esforço que elas tiveram para plantar o Axé Apô Afonjá tanto do Rio de Janeiro, quanto de Salvador. Eu agradeço ao Osé Mímó essa homenagem. Motumba!”

Companhia de Dança Corpafro
Companhia de Dança Corpafro

A Companhia Corpafro além das apresentações do Orixá Exu fazendo um “solo” e das Iabas no início do evento exaltando as tradições, hierarquias e também a força e o respeito para as mulheres, e para o final da premiação uma linda performance de todos os Orixás com suas danças e cantigas e o desfecho foi ao som da cantiga Awùre com todos presentes cantando.

 

Indicados ao Prêmio Osé Mímó 2017

Os indicados para as categorias foram: Alana Gandra, Ana Lucia Silva, Asé Ogun Alakoro, Carioquice Negra, Flávio Honório da Costa, Ilê Asé Arutoboigbo, Ilê Asé N’Ímbaim, Ilê Ogun Anaeji Egbele in Oman Asé Oloroke Pantanal, Jana Guinond, Jaqueline Batista Cordeiro, Laura Astrolabio, Mauricio de Souza Moraes,  Ojuoba Asé, Papo Preta Saúde e Bem Estar da Mulher Negra, Projeto Negro Sim, Rosa David, Sociedade Cultural Orquestra Alabe Funfun, Sociedade de Cultos Afros Kere Ahoçu-Ho Lefan e Thiago Augusto Lopes da Silva.

Ganhadores do Prêmio Osé Mímó 2017

Promoção da cultura: Asé Ogun Alakoro – Núcleos de Atendimento à Comunidade,

Mauricio de Souza Moraes – CD Cantando para Aganjú

Sociedade Cultural Orquestra Alabe Funfun

Manutenção do Patrimônio Material e Imaterial: Ilê Asé  Arutoboigbo – Exposição Vida na Fé

Ilê Ogun Anaeji Egbele in Oman Asé Oloroke Pantanal  – Festa Anual do Orixá Iroko.

Proteção dos Direitos: Dra.Laura Astrolabio – A Importância de Políticas Públicas de Ação Afirmativa para Negros no Brasil.

Respeito entre as Religiões: Professora Jaqueline Batista Cordeiro – Projeto Escolar Intolerância Religiosa.

Serviço Social e Ações de Sustentabilidade: Rosa David – Obí Acessórios

Mídia e Comunicação: Jana Guinond – Programa Usando a Língua

Flávio Honório da Costa – Programa Cultural Africa Brasil

Combate ao Racismo e Discriminação: Papo Preta Saúde e Bem -Estar da Mulher Negra.

 

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