Carnaval carioca: a cada 4 minutos, 1 mulher foi agredida

Por Renata Oliveira – renata.oliveira@balzaqueando.com

Teve alegria, teve folia mas infelizmente também teve agressão e violência no carnaval carioca deste ano. O balanço divulgado pela Polícia Militar revelou que ao menos uma mulher foi agredida a cada quatro minutos no estado do Rio.

Durante cinco dias de carnaval, entre as 8h do dia 24 de fevereiro e 8h de 1º de março, a polícia atendeu a 15.943 solicitações, destas 2.154 chamadas foram pedidos de socorro sobre violência contra mulher.

Durante o carnaval a violência contra mulher tem se intensificado. Por isso, a Divisão Policial de Atendimento à Mulher (DPAM), realiza anualmente neste período campanhas para conscientizar as mulheres, vítimas de violência, sobre a importância da denúncia.

Este ano, a campanha “Estandarte da Coragem”, constam elencadas as prisões realizadas pelas Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam) nos mês de fevereiro.

A implantação de delegacias especializadas, os núcleos criados nas delegacias distritais e a criação de protocolos de atendimento que aumentam a confiança das vítimas para denunciarem seus agressores.

Ainda de acordo com o balanço da Polícia Militar, durante o período a polícia também prendeu 298 suspeitos, sendo 72 adolescentes apreendidos em flagrangte e 18 por mandados de prisão. A PM apreendeu também 69 armas apreendidas, além de drogras como maconha, cocaína e crack.

Perturbação do sossego e do trabalho alheio foi responsável por 1.923 das chamadas, representando 12% do total dos acionamentos via 190.

A Polícia Militar fez 11.937 mobilizações de efetivo em todo o estado para a Operação Carnaval 2017, além do policiamento normal nas ruas.

Blocos carnavalescos alertam contra a violência contra mulheres e contra machismo.

Fechando o carnaval dos blocos de rua não oficiais na Quarta-feira de Cinzas (1/03), o Bloco das Mulheres Rodadas desfilou na zona sul do Rio de Janeiro contra o machismo, a misoginia, o racismo e a homofobia. O percurso começou no Largo do Machado com os versos tropicalistas “Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval” e seguiu até o Aterro do Flamengo, com músicas icônicas como Alguém me avisou, de Dona Ivone Lara, Tieta, de Caetano Veloso, Geni, de Chico Buarque, e Hoje, de Ludmila.

Uma das organizadoras do bloco, a jornalista Renata Rodrigues disse que o alerta contra o machismo continua muito necessário, lembrando da agressão sofrida no domingo de carnaval por mulheres que faziam campanha contra o assédio.

Mulheres que faziam a distribuição do material de campanha ‘Carnaval sem Preconceito’, da Caixa de Assistência dos Advogados do Rio de Janeiro (Caarj), relataram ter sofrido assédio e agressões em blocos do Rio de Janeiro. Segundo a assessoria de imprensa da Caarj, enquanto distribuíam as ventarolas da campanha e conversavam com os foliões, elas ouviram xingamentos, foram assediadas verbalmente e até fisicamente.

Este é o terceiro ano em que o bloco ‘Mulheres Rodadas’ sai pelas ruas do Rio, as homenageadas foram mulheres da música e da cultura brasileiras. Foram homenageadas sete mulheres da música e da cultura brasileira. Algumas são compositoras de músicas que estão no repertório do grupo, como Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Gretchen e Frenéticas.

Outro blocos cariocas fizeram referência ao tema de gênero, combate a violência liberdade e feminismo. Pouca roupa, seios a mostra de acordo com as folionas do blocos são símbolos de atitude e liberdade. Além dos blocos que festejam e pulam marchinhas com o tema, tradicionais grupos carnavalescos como Boi Tolo,Osquestra Voadora, Minha Luz é de Led e Vem cá minha flor, tiveram foliões e folionas que desfilaram de peito aberto e ousadia em defesa das mulheres.

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