Quando a maternidade fala mais alto que a vida profissional

Fotógrafa largou emprego de mais de dez anos para abrir o próprio negócio

Em outubro de 2014, a fotógrafa Fernanda Tirre tomou a decisão mais difícil e importante da sua vida: largar o emprego de mais de dez anos vivendo num país que iniciava uma das maiores crises de sua história e empreender em voo solo. A decisão de largar a estabilidade de trabalhar numa empresa como a Vale e abrir o próprio negócio foi difícil, no entanto a maternidade, aliada a necessidade de fazer algo que realmente gostava, impulsionou a decisão de sair do emprego.

NTF_4992_web“Meu primeiro filho entrou na creche com cinco meses e passava 11 horas por dia longe dos pais. Isso me entristecia demais, pois eu só participava da vida do Bernardo (hoje com 3 anos) nos finais de semana. Os primeiros passos e a introdução dos alimentos, por exemplo, foram todos na creche. Isso tudo me deixava muito angustiada pela falta de oportunidade de acompanhar de perto o crescimento dele”, relembra.

A fotógrafa começou a trabalhar na mineradora aos 16 anos, ainda no Ensino Médio. Passou por diversas áreas na empresa, e encerrou o seu ciclo como analista ambiental e de sustentabilidade, trabalhando em projetos voltados para educação ambiental e comunicação de parques e reservas. “Viajei bastante para o “meio do mato” e depois que o meu filho nasceu, fiquei pensando como ficaria o meu coração sabendo que iria para lugares distantes novamente e, muitas vezes, sem comunicação. Seria muito angustiante. Fui muito feliz na empresa. Tive oportunidade de me formar em Comunicação Social, fazer pós-graduação em sustentabilidade, ganhei uma bagagem profissional imensa que utilizo hoje na minha empresa, fiz amizades que trago comigo, lá conheci meu marido e formei minha família. Tudo valeu a pena!”, enumera.

O desafio de empreender veio junto com a maternidade. “Um dia cheguei do trabalho e conversei com meu marido. Falei que só me sentia feliz aos finais de semana, quando saía para fotografar parentes e amigos e ficava com a minha família. Recebi total apoio. Começamos aos poucos a colocar na ponta do lápis tudo o que eu precisaria para começar a fotografar profissionalmente e o quanto eu ia conseguir com a rescisão do emprego”, revela, acrescentando que o primeiro passo foi criar a página no Facebook para colocar as fotos que fazia de familiares e amigos que serviam de modelo para aprimorar o trabalho.

“Eu tinha uma máquina semi-profissional, pois sempre fui apaixonada por fotografia. Desde que o Bernardo nasceu, comecei a fotografar os momentos dele. Aí veio a vontade de estudar fotografia. Busquei cursos e workshops sobre o assunto para me especializar. Somando essa vontade de estar mais presente na vida do meu filho com o gosto pela fotografia, nascia à marca Nanda Tirre Fotografia”, explica.

A maior motivação para empreender, segundo a profissional, foi poder ficar mais tempo com o filho, além de transformar um hobby num projeto profissional. A decisão de largar o emprego fixo veio na época do Dia das Crianças em 2014.

“Conversei com meu chefe sobre a decisão de sair do trabalho e começar a fazer aquilo que gostava efetivamente, além de poder ficar mais tempo com minha família. A receptividade por parte dele foi boa. A melhor decisão que tomei na vida”, afirma.

Fernanda relembra que demorou meses para começar a receber efetivamente. Fotografou parentes e amigos de graça e, em troca, podia divulgar o trabalho nas redes sociais.

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Hoje, já com o segundo filho, Joaquim, de 8 meses, ela consegue acompanhar o crescimento e o dia a dia do bebê. “Vê-lo aprender a engatinhar, a falar e ter tempo de acompanhar isso tudo é muito gratificante. Além de sair pra trabalhar naquilo que eu realmente amo. Um ensaio de newborn me deixa em êxtase. Volto esgotada, porém muito feliz. Trabalhar com crianças é muito gratificante”.

Há três meses, Fernanda abriu um estúdio fotográfico no Flamengo, zona sul do Rio de Janeiro, onde fotografa famílias, bebês e crianças. “Guardava todos os acessórios fotográficos em casa e quando ia para uma sessão na casa do cliente, era necessário levar várias opções de cenário, mas graças a Deus eu obtive mais essa conquista e consegui alugar o estúdio e deixá-lo do jeito que sempre sonhei. Não é fácil empreender, exige muita educação e disciplina, mas poder fazer aquilo que gosta e estar junto dos meus filhos e marido é a melhor coisa da minha vida”, finaliza.

Créditos: Nanda Tirre Fotografia

Rua Dois de Dezembro, 38, Flamengo.
@nandatirrefotografia

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