Turismo fortalece a Sustentabilidade na Amazônia

Turismo comunitário potencializa riquezas naturais das comunidades ribeirinhas do Amazonas.

A diversidade biológica e cultural do rio Negro é um atrativo à parte em Manaus. Por isso foi o circuito escolhido para 8° Enecob (Encontro Nacional de Editores, Colunistas, Repórteres e Blogueiros) “Desafios da Amazônia” com apoio da Amazonas Tur. A interação com a natureza, a beleza dos rios de água preta e outras características peculiares fazem da região um dos principais polos turísticos do Amazonas.

Uma das principais apostas das comunidades ribeirinhas da região para garantia de renda às gerações futuras é o turismo ecológico de base comunitária. A exemplo do que fazem em outras atividades, o turismo é desenvolvido tendo como pilar a questão da sustentabilidade.

Com foco no turismo regional, comunidades ribeirinhas do Amazonas se organizam para oferecer aos turistas brasileiros ou estrangeiros, o que há de melhor na região Amazônica.

Comunidade Nossa Senhora Perpétuo Socorro
Comunidade Nossa Senhora Perpétuo Socorro

Marlene Alves da Costa, de 58 anos é fundadora da Comunidade de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no lago do Acajatuba, em Iranduba. Ela fundou a comunidade quando tinha apenas 16 anos e viu uma oportunidade de crescimento do turismo na comunidade com a gravação de uma novela no local.

Na novela, a comunidade amazonense recebe o nome de “Parazinho”, uma vila fictícia do estado do Pará.“A nossa localidade é o cenário perfeito que a produção da novela estava procurando. Além disso, pesou o valor da logística”, disse Marlene.

Com 250 pessoas vivendo na comunidade, eles se dividem em tarefas diárias para atrair turistas. Dona Marlene contou que o turismo mudou a vida de todos na comunidade. “Aqui em Acajatuba tínhamos muita exploração de madeira. Não era proibido, então todo mundo tirava, todo mundo vendia. A mesma coisa acontecia com a pesca e a caça. E hoje isso não acontece mais”.

Os moradores passaram a utilizar o que a terra oferecia de forma mais consciente. “Hoje em dia vivemos do artesanato e do turismo. Agora a pesca aqui é para consumo próprio”, contou.

A gastronomia é rica com produtos extraído da terra
A gastronomia é rica com produtos extraído da terra

Ribeirinhos investem na culinária local natural

Saracá é outra comunidade onde o extrativismo da madeira já não faz parte da base da economia local, e o protagonismo da renda familiar não é mais tarefa exclusiva dos homens. Agora, outra lógica cotidiana e econômica se impõe na reserva.

Trata-se de um projeto de incentivo ao turismo comunitário desenvolvido pela Fudanção Amazonas Sustentável (FAS). Onde chefs trocaram experiências com os moradores das comunidades de Saracá, que aprenderam novas técnicas e receitas sofisticadas com matérias-primas já conhecidas por eles: os peixes e demais elementos da região.

Motivados pelo contato com chefs, os moradores da comunidade de Sacará, por meio do Programa Bolsa Floresta, coordenado pela FAS, destinaram recursos de incentivo à geração de renda oriundos do programa para a construção de um restaurante às margens do rio Negro.

Produção de farinha complementa renda na comunidade
Produção de farinha complementa renda na comunidade

Segundo a gerente do restaurante, Pedrina Brito, além de ter aprendido novas receitas, técnicas e práticas de manipulação de alimentos, o curso mediado pela FAS contagiou toda a comunidade, que tem o restaurante como patrimônio do lugar. “Gerou um crescimento econômico também, pois nós compramos a farinha e o peixe de comunidades próximas”, afirmou ela.

Conscientização gerou mudanças de valores

Localizada à margem direita do rio Negro, a comunidade do Tumbira é considerada o ‘coração’ da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) rio Negro. O local conta com atrativos como trilhas terrestres e aquáticas, focagem de jacarés, pescaria em igarapé, passeios de canoa, observação noturna de pássaros, grupos de artesanato e a produção de farinha, a famosa ‘farinhada’.

A comunidade do Tumbira impressiona pela estrutura e organização e, até por isso, é tida como referência para outras comunidades ribeirinhas. Por meio do programa Luz para Todos, do Governo Federal, todas as casas da comunidade são abastecidas com energia elétrica. O local conta até mesmo com serviços bancários. Uma escola municipal também funciona na comunidade e encanta pela arquitetura amazônica, fruto do potencial madeireiro da região.

Roberto Mendonça vivia do desmatamento clandestino
Roberto Mendonça vivia do desmatamento clandestino

Roberto Mendonça é um dos empreendedores da comunidade do Tumbira. Ele é dono da ‘Pousada do Garrido’, uma das iniciativas de turismo de base comunitária no rio Negro. Ele vivia da extração ilegal de madeira antes de trabalhar com turismo. “Eu era madeireiro, como outros da reserva, clandestino. Um anônimo no mato. Faltavam opções de trabalho, então eu tirava madeira não porque eu gostava, e sim por necessidade”, afirmou.

Para Roberto, o conceito de preservação só é colocado em prática quando se preserva as vidas de quem mora dentro da floresta. “Era o que restava pra gente sobreviver aqui dentro das comunidades. Na época em que eu tirava madeira, se falava muito em preservação. Mas também não davam uma alternativa de vida pra gente. Por isso, para mim, a preservação começou com as nossas vidas. Cada vida aqui é uma árvore também. E se não preservar uma das duas, uma se acaba”.

Fonte: Diário da Amazônia

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