A nova economia é feminina

De acordo dados da revista InfoMoney, as micro e pequenas empresas respondem por 52% dos empregos de carteira assinada do Brasil e, desse universo, 51,6% dos empreendedores do país são mulheres. “Sabe por quê? Porque nós mulheres já nascemos com o gene do empreendedorismo. Se a gente não tiver iniciativa, como o bebê será alimentado? Se a gente não tiver empatia, como entender os sinais e descobrir o que significam os tipos de choro?” A coach, empresária, administradora, advogada e consultora de negócios Ana Clara Laaf usa esse exemplo porque sabe bem o que é isso. Aos 39 anos de idade engravidou de sua primeira filha e estava mega feliz com o sucesso de sua empresa de eventos e consultoria na área de inovação. De repente, veio a crise e viu sua vida virar de ponta cabeça quando fechou seu espaço e teve que mudar de casa com a filha com apenas 5 dias de nascida.

Reestruturou seu negócio, deixou os eventos de lado, focou nas consultorias para acompanhar de perto o crescimento da filha e teve dificuldade de reorganizar sua carreira, conciliando com as incumbências maternas. “Passei a ter uma admiração muito especial pelas mulheres que são mães, donas-de-casa e se desdobram para que tudo funcione da melhor maneira possível. Decidi ali que queria focar toda energia para ajudar outras mulheres a prosperarem em seus negócios, partindo de suas paixões e do que podem oferecer de melhor para o mundo, transformando seus dons e talentos em produtos ou serviços com valor no mercado”.

Ela mesma teve dificuldade para encontrar seus caminhos. Fez curso de Psicologia, de Direito e de Administração. Passou com louvor em um concurso público concorrido e, após dez meses batendo cartão em uma empresa pública federal, percebeu que aquela não era sua praia. O fator determinante para sua decisão foi o dia em que ela pediu mais tarefas ao então chefe e ele arregalou os olhos dizendo que nunca tinha visto ninguém pedir mais trabalho. Ficou claro como água que ela tinha uma necessidade visceral de liderar o próprio processo de trabalho, ter autonomia de gestão, liberdade de horário, colocar sua criatividade e espírito de liderança em ação e, também, trabalhar muito.

Com sua história pessoal, descobriu o quanto teimamos em acreditar que a nossa grande paixão indica o nosso propósito, qual a nossa contribuição para o mundo e o que viemos realizar por aqui. Após o pedido de desligamento do serviço público, se jogou de cabeça no empreendedorismo. Abriu sua empresa, Arboral, de eventos e consultoria de negócios voltados para temas do desenvolvimento humano como Mindfulness, Coaching, PNL, Física Quântica e passou a receber em seu espaço na Zona Sul do Rio de Janeiro, palestrantes de outros estados e do exterior. Agora, voltou todas as baterias para o empoderamento feminino através da autonomia na carreira e nas finanças.

De acordo com ela, o empreendedorismo feminino tem um futuro lindo e promissor pela frente. Trabalhar em rede, cuidar do próximo, colocar o coração no que faz, agir com empatia e intuição são atitudes inatas das mulheres que se alinham com os rumos do empreendedorismo mais moderno. “As habilidades requeridas para a nova sociedade se encaixam perfeitamente nas características femininas. Atualmente o mundo gira na economia colaborativa, em empresas co-criativas e relações ganha-ganha. Em toda a cadeia produtiva as capacidades de empatia, de troca, de colaboração, comunicação e de adaptabilidade são cada vez mais valorizadas. E as mulheres têm isso por Natureza.”

Ana argumenta que a mulher brasileira também é exemplo de empreendedora porque sabe lidar com a adversidade. Se for preciso, ela certamente vai dar um jeito de gerar uma renda para sustentar sua família. Vai fazer bolo para vender, pegar uma revista de cosméticos, costurar, vender potes de plástico e, mesmo quando não tem fins lucrativos, ajuda a organizar alguma ação social, a festa junina da igreja, a rifa para ajudar uma amiga adoecida etc. O que falta, porém, para que a maior parte das microempreendedoras siga adiante é metodologia em segmentos de economia e administração. “Por isso, 1/3 das empresas fecham já no primeiro ciclo de vida”, aponta.

Em seus cursos “Empreendedoras de Sucesso”, ela frisa que, antes de partir para o desenho do plano de negócios, é importante acreditar no seu poder pessoal, perceber que pode oferecer algo de único e autêntico e que é possível acrescentar um toque pessoal para o mundo. “Temos que lembrar dos nossos méritos e que, quando uma mulher brilha, ela ilumina o caminho para que outras também alcancem o sucesso”.

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